Duas mídias numa pregação só.

maio 14, 2009

fabiodemelo

O padre Fábio de Melo é a sensação das beatas solteironas do Brasil.  Sabe, como ninguém, fazer pose de galã intelectual e sensível pra vender discos e livros. Grande adepto da fórmula pseudoliterária de Augusto Cury, o padreco já percebeu que nesse mundo capitalista não existem fiéis, apenas públicos-alvo, e partiu pro ataque.  E quem sou eu pra dizer que ele está errado? Salário de padre é mirradinho que só.

De 2008 pra cá, pelo menos quatro livros do padre Fábio de Melo foram lançados, todos a precinhos populares, para  a dona de casa não reclamar: Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta, Quem Me Roubou Meu Queijo de Mim?, Tempo: Saudades e Esquecimentos e Cartas Entre Amigos: Sobre Medos Contemporâneos.  Sem contar, claro, os discos. Ah, esse sacerdote é mesmo um artista! Deleitem-se com a descrição de cada livro (copiadas da Submarino):

Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta

Em Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta, Pe. Fábio de Melo nos proporciona uma reflexão sobre as razões de nosso sofrimento e como transformá-lo em fonte de valores. A partir de vários relatos, ele expõe que o sofrimento humano está repleto de ensinamento; tudo dependerá de nosso ponto de vista e de nossas escolhas. O livro mostra ainda que o sofrimento não deve ser um estado definitivo, mas sim um instante de travessia, um caminho para a transformação. Sofrimento é destino inevitável, porque é fruto do processo que nos torna humanos. O grande desafio é identificar o sofrimento que vale a pena ser sofrido.

Quem Me Roubou de Mim?

Esta obra aborda algumas questões sobre as dificuldades das relações humanas. É um livro bastante profundo, que apresenta uma linguagem poética e leve para falar de coisas tão importantes em nossa vida. por meio de reflexões filosóficas, textos poéticos e histórias reais, o autor toca nosso entendimento e nossas emoções, convidando-nos a um mergulho em nossa subjetividade, afim de nos fazer conhecer a nós mesmos e a descobrir como viver e conviver melhor não só com as pessoas que nos cercam, mas com todos que passam pelo nosso caminho.

Tempo: Saudades e Esquecimentos

Esta obra aborda algumas questões sobre as dificuldades das relações humanas. É um livro bastante profundo, que apresenta uma linguagem poética e leve para falar de coisas tão importantes em nossa vida. por meio de reflexões filosóficas, textos poéticos e histórias reais, o autor toca nosso entendimento e nossas emoções, convidando-nos a um mergulho em nossa subjetividade, afim de nos fazer conhecer a nós mesmos e a descobrir como viver e conviver melhor não só com as pessoas que nos cercam, mas com todos que passam pelo nosso caminho.

Cartas Entre Amigos: Sobre Medos Contemporâneos (escrito em parceria com Gabriel Chalita)

Um dos livros mais aguardados do ano, traz reflexões sobre temas contemporâneos de grande interesse. O medo da morte, da solidão, do fracasso, da inveja, do envelhecimento, das paixões, da falta de sentido da vida. No formato de cartas entre dois grandes amigos, tais temas são tratados com sensibilidade pelos jovens autores mais celebrados do momento, duas lideranças incontestáveis das novas gerações: Gabriel Chalita e Padre Fábio de Melo. O livro resgata os valores do humanismo ao mesmo tempo que celebra a amizade de duas personalidades apaixonadas por filosofia, literatura e poesia.

timebomb Obra Completa do padre Fábio de Melo

BOMBÔMETRO: 100%

(e eu que nem pretendia repetir…)


Sobre anões e remakes.

maio 8, 2009

Estamos no auge do momento hollywoodiano dos remakes. É remake de filme clássico pra cá, refilmagem de filme obscuro pra lá… estou pra ver a hora em que a moda engatará na indústria pornô e a Brasileirinhas decida fazer um remake de As Taras do Mini-Vampiro: a obra-prima da produtora Boca-de-Lixo contava a história de um vampiro anão (interpretado por Chumbinho, estrela-mor da indústria pornográfica brasileira dos anos oitenta) que bebia sangue de menstruação.

chumbinhoChumbinho em seu melhor ângulo.

Uma das refilmagens que mais causaram repercussão na internet nos últimos meses é  a de Karatê Kid. Protagonizado pelo filho do Will Smith, – Jaden Smith -, o remake do clássico da Sessão da Tarde ainda não tem previsão de estreia. Poucos dias atrás, a produção revelou a trama do filme ao site Moviehole – que é mais ou menos o que o Omelete publicou:

A trama é essencialmente a mesma: garoto é forçado a se mudar com sua mãe para uma cidade diferente, apanha dos grandões, e aprende artes marciais com um tiozinho caquético, por quem ninguém dava nada. A diferença é que a nova versão se passa na China – para onde a mãe solteira do garoto, Sherry, é transferida para não perder o emprego nos EUA.

Jaden Smith interpreta Dre, o Daniel-san da vez, viciado em videogames de skate. Sem saber falar mandarim, matriculado numa rigorosa escola local, atrai a atenção dos bulllies locais, como Lui Wei Cheng (personagem cujo ator ainda não foi divulgado). Surge então o Sr. Han (Jackie Chan), faz-tudo do prédio de apartamentos onde Dre mora com a mãe. Enquanto conserta o aquecimento do banheiro, Han vê Dre imitando golpes e chutes na frente do videogame – e percebe o potencial do menino.

Para resumir o que vem a seguir sem revelar muito: Dre aprende não só a lutar como também a falar mandarim, há um interesse romântico para o garoto e não falta nem a academia de kung-fu “do mal”.

A direção do filme ficará a cargo de Harald Zwart (Pantera Cor-de-Rosa 2).

81272093BM089_17th_Annual_MJaden mostrando que está à altura – em centímetros – de Chumbinho.

Hoje farei uma explicação lógica e didática para o bombômetro dessa bomba obra cinematográfica. Todo filme começa com 50% de chance de ser uma bomba. Ganha deméritos ou bônus de acordo com a suas qualidades prévias. Nesse sentido, o remake de Karatê Kid seguiu o seguinte raciocínio:

1)    Jaden Smith é o moleque mais sem carisma do cinema norte-americano  dos últimos tempos (alguém viu O Dia em que a Terra Parou, heim?), interpretando papéis importantes só por causa do lobby feito por papai: +8,3%

2)    Pat Morita morreu há alguns anos e Jackie Chan não tem cacife para interpretar o/uma variante do Sr. Miyagi: + 5,8%

3)    Jaden – ah, pirralhinho mimado – já disse que não deseja utilizar o clássico Golpe da Garça no filme. Um filme de Karatê Kid SEM O GOLPE DA GARÇA: não tem preço +30%

bombachocolate “Karatê Kid”

BOMBÔMETRO: 94,1%


maio 4, 2009

Vou fazer um pequeno teste com você, leitor. É um exercício de trabalho intelectual, então PENSE BASTANTE antes de escolher.

As frases abaixo são creditadas a traficantes (fictícios ou não). Qual delas facilmente também sairia da boca da sua vizinha solteirona do terceiro andar:

a)    “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”

b)    “Tamos atento, no setor 12. Arrebenta o cara da draga. Bota bala pra comer nesse, faz eles rolar no chão.”

c)    “(…) e é melhor o senhor sair da minha casa, nunca brinque com um peixes de ascendente escorpião.”

d)    “Chegamos na Rocinha no complexo Zona Sul, equipe Alfa foi e quebrou o Lulu.”

Aham.

Quando o filme de Faroeste Caboclo for lançado, dou a resposta.

O longa será baseado num roteiro de Paulo Lins (que, por sua vez, se baseou na música homônima da Legião Urbana), escritor do livro Cidade de Deus, e terá direção de René Sampaio, também diretor de cinco curtas. O orçamento do filme, produzido pela Gávea Filmes, é de R$ 6 milhões. Você pode conferir mais sobre o projeto no site oficial.

Spoiler: No final do filme, Jeremias mata João de Santo Cristo com um tiro nas costas.

bomb“Faroeste Caboclo”

BOMBÔMETRO: 70%


abril 27, 2009

Um sujeito raso sendo filmado de maneira rasa, no que pode dar: bomba!

Oliver Stone tem o tino para transformar qualquer vida numa experiência superficial e polêmica, como o grande público gosta. As cinebiografias do diretor são baseadas na velha fórmula de amplificar ao extremo o estereótipo de uma personalidade pública e encaixá-la em situações controversas que ocorreram ao longo de sua vida. Para o personagem parecer mais real – e abafar toda a falta de profundidade da obra – um ator competente “encarna” o protagonista, como se a verdadeira celebridade retratada estivesse no telão. The Doors – o filme, não a banda –, de 1991, é um bom exemplo de uma das cinebiografias do Stone. Se você não viu nenhuma delas, pense que Cazuza – O Tempo Não Pára podia fazer, perfeitamente, parte do currículo do diretor.

w

W., o novo fruto do cineasta, estreou nessa sexta-feira nos cinemas brasileiros – não em todo o Brasil. Em Salvador, por exemplo, ainda não está sendo exibido – e retrata a vida de George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos. As sinopses são uma diversão à parte:

O diretor Oliver Stone traz a vida do 43º presidente dos Estados Unidos para as telonas. O filme mostra conturbada vida de George W. Bush (Josh Brolin) – seus esforços e seus triunfos, como ele achou em sua mulher Laura Bush (Elizabeth Banks) a fé e, claro, os críticos dias que o conduziu a polêmica decisão de invadir o Iraque.

(Yahoo! Cinema)

Cinebiografia sobre o presidente americano George W. Bush que pretende mostrar “como ele deixou de ser um alcoólatra e se transformou na figura mais poderosa do mundo”.

(Cinema em Cena)

Trailer:

Pelo jeito, Bush ganhou uma cinebiografia à altura dos seus anos na presidência.

bomb01 “W.”

BOMBÔMETRO: 84%


abril 24, 2009

Dessa vez, farei uma mini-prévia da lista dos dez livros mais vendidos de ficção da Veja. Até que tentei dividir e analisar um por um, mas metade deles são farinha do mesmo saco: eu só faria copiar e colar a mesma crítica e trocar o nome do livro e autor. Por isso, algumas análises são coletivas, enquanto outras mereceram um destaque individual.

#1, #6, #7 e #9 – A Cabana – William Young, O Vendedor de Sonhos – Augusto Cury, A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak e O Menino do Pijama Listrado – John Boyne.

Se houvesse uma lixeira seletiva para livros ruins, essas quatro obras ocupariam o mesmo espaço: a das ficções que, no fundo, no fundo, são auto-ajuda. Histórias superficiais e bobinhas para leitores que não costumam ler e acham profunda qualquer frase de efeito.

Outros best-sellers, como os livros de Paulo Coelho, Lya Luft ou Khaled Hosseini – este último, autor de O Caçador de Pipas e nosso exemplo-mor do Não Consumirás, tem dois romances aqui que pegaram onda em seu sucesso: A Menina Que Roubava Livros e O Menino do Pijama Listrado – seriam bem-vindos nesse mesmo lixo.

BOMBÔMETRO: 97% + 2% de bônus pela relação com O Caçador de Pipas.

#2 – Leite Derramado – Chico Buarque.

Dizem as más línguas que, como romancista, Chico Buarque é um ótimo compositor. Fora Budapeste, o seu quarto livro, nada mais em sua carreira de escritor de romances é significante.

Certeza, de verdade, tenho uma: ninguém compra Leite Derramado pelos méritos do livro – afinal, foi recém-lançado – e sim por tudo o que Chico já fez em sua carreira. E ele pode fazer um livro tão ruim quanto O Caçador de Pipas e, ainda assim, ser idolatrado por isso.

BOMBÔMETRO: 50% + 5% de bônus se alguém chorar sobre o livro.

#3, #4 e #5 – Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse – Stephenie Meyer.

Abstendo-me de uma digitação exaustiva em três tempos, jogo os livros dos vampirinhos que viram brilham como purpurina à luz do dia em um único quesito. Sim, infelizmente vi o filme de Crepúsculo. Perdoe-me, Pai, pois pequei. Mas foi por um bom motivo: as duas horas no cinema me pouparam de muitas horas a mais que eu perderia lendo esses romances  escritos para pré-adolescentes rejeitadas. Faço das palavras do Stephen King as minhas.

BOMBÔMETRO: 93% + 2% por trazer de volta a modinha dos vampiros (e um novo filme da franquia Anjos da Noite com ela).

#8 – O Leitor – Bernhard Schlink.

Perdoe-me, Pai, pois pequei.

Perdoe-me, Pai, pois pequei.

Perdoe-me, Pai, pois pequei.

Vou me chicotear alí no canto pra não voltar a ler obras enquanto elas estiverem no Top 10 da Veja.

#10 – Anjos e Demônios – Dan Brown.

Como a data do lançamento do filme baseado nas altas confusões vividas por Robert Langdon e uma galera do barulho se aproxima, Dan Brown volta a ser lembrado nas listas de mais vendidos. A questão é: se não fosse a polêmica envolvendo a igreja e figuras religiosas, seus livros podiam figurar em qualquer seção de romances policiais vendidos em banca de revista por cinco e noventa e nove – do tipo que tem uma estrutura básica e previsível.

BOMBÔMETRO: 80% + 5,99% de bônus pelo real preço que o livro é vendido.


Chutando cachorro morto (novamente).

abril 20, 2009

diva

Divã é a típica produção que não difere em nada dos especiais de fim de ano da Globo. A grande diferença é que no cinema dá pra arrecadar um dinheirinho a mais do mesmo público, que descobre o filme em merchandisings exibidos em novelas ou, se estreasse umas semanas antes, no Big Brother Brasil. O pior é que nem dá pra sentir aquela simpatia por ser um produto ‘que até pode ser divertido porque é trash’, como em Se Eu Fosse Você.

Enfim, vamos à sinopse, copiada do site da UCI:

“Divã” conta a história de Mercedes, uma mulher de 40 anos que vive às voltas com as alegrias e desafios da sociedade contemporânea. Casada e mãe de dois filhos, Mercedes decide, mesmo sem saber bem o porquê, procurar um psicanalista. E, assim, o que antes era apenas uma curiosidade, se transforma em uma experiência devastadora, que provoca uma série de mudanças em sua vida cotidiana. No divã, Mercedes questiona o seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução. A melhor amiga Mônica, a companheira de todos os momentos, vê de perto a transformação de Mercedes e participa de suas novas experiências e descobertas, apesar de nem sempre concordar com suas escolhas. As revelações de Mercedes para o analista, assim como as conversas com a melhor amiga, dão novo rumo à vida de Mercedes que a princípio parecia boa, estável, mas sem grandes emoções. É só o princípio de uma grande transformação.

Até aí, tudo bem. Estrutura clássica de qualquer história de mudança, dá até pra pensar que se fosse escrito por um bom roteirista, podia gerar um bom filme. Você pode chegar a fazer cara feia ao ler a sinopse, mas não cuspir no monitor.

Constrangimento de verdade você sente quando assiste ao trailer.

Acho que eu é que vou precisar de um divã pra me livrar do trauma da piadinha da balada seguida pela música de Ana Carolina.

Divã estreou dia 17 em todo o Brasil e conta com a direção de José Alvarenga Jr. – também diretor de Zoando na TV (1999) – e um elenco de figurões da Globo teledramaturgia nacional, como Lília Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond.

É isso. Passem bem. Bem longe dessa bomba.


bombah “Divã”

BOMBÔMETRO: 98,7%


abril 16, 2009

É aquilo: eu podia não começar com um produto que é claramente uma bomba, mas desejo estar cem por cento certo de que algo não presta ao menos na primeira análise do blog.

sonhador

Mal posso esperar pra não ver “Os Sonhos de Um Sonhador – A História de Frank Aguiar”. Embora, como disse o Marcelo Hessel do Omelete, o filme devia ganhar o Oscar de melhor pleonasmo. Dirigido por Caco Milano (pra quem nunca ouviu falar no diretor, há uma auto descrição em seu blog: “Cineasta, Dramaturgo, Pai, Marido, amante, companheiro, torce pelo Palmeiras, sou aquariano, sou feliz!”), o longa,  atualmente sendo rodado no Piauí, está previsto para estrear no circuito nacional em setembro. Em Nota Oficial, o diretor divulgou a seguinte sinopse do filme:

“Os Sonhos de um Sonhador – A História de Frank Aguiar” contará a vida artística do cantor, desde a sua saída de Itainopólis até o sucesso em São Paulo.Um filme para a família toda se emocionar.
Frank Aguiar irá fazer aulas de interpretação para participar do final do filme.

O elenco conta com a participação de Chico Anysio, Daneil Zettel (o Carlinhos da novela “Mulheres Apaixonadas”, de 2003), Leandro Lehart, Milton Guedes, Hugo Alves (da dupla Hugo & Tiago), Cláudia Carla e Luna Milano.

O mais interessante é que posso me abdicar de qualquer comentário sobre o filme, porque tudo o que o envolve é muito auto-explicativo. Depois do boom de filmes brasileiros sobre favelas que sucedeu Cidade de Deus, estamos diante de uma onda cinematográfica baseada em Dois Filhos de Francisco? Se for assim, espero ainda criticar aqui “Bruno e Marrone: Dormi na Praça.”


bomba

“Os Sonhos de Um Sonhador – A História de Frank Aguiar”

BOMBÔMETRO: 100%