Mais pecado que sexo com camisinha.

maio 31, 2009

Nessa nova seção do blog – sujeita à mudança de nome, opinem! – farei resenhas sucintas de três lançamentos: um filme, um disco e um livro.

Heróis (Push, 2009)

push“Uma mistura de ação, suspense e ficção científica, o filme conta a saga de jovens americanos com poderes de telepatia e clarividência que têm de se esconder de uma agência clandestina do governo dos EUA. Eles precisam se unir e usar suas diferentes habilidades para escapar da agência de uma vez por todas.”, diz a sinopse de Heróis, que estreou nessa sexta-feira nos cinemas brasileiros. Obra baseada em franquias baseadas em quadrinhos de super-heróis, como o seriado Heroes – até o título em português sugere isso -, é notável a falta de pudor dos produtores em não esconder que o filme é mais um caça-níqueis de baixo escalão. Seja pelos atores de segunda linha – incluindo a Dakota Fanning, que já fora a “criança de ouro” do cinema comercial americano e  agora parece seguir a tendência de ostracismo dos atores mirins de sucesso em Hollywood, como o Macaulay Culkin e o Haley Joel Osment – , pela sinopse no estilo ‘grupo de superpoderosos que se envolvem em enrascadas do barulho’ ou apenas pelo visual de produção dispensável mesmo. Jumper (2008) seguiu uma linha parecida e foi um fracasso.

Porém, nem tudo é tristeza: daqui a dois anos, a Tela Quente espera por vocês.

BOMBÔMETRO: 96%

Djavan Por Eles e Djavan Por Elas (Som Livre, 2009)

por eles

Djavan é, provavelmente, o subproduto de maior sucesso que a MPB já produziu. Dono de extensa discografia, continua a vender bem mesmo com o mercado fonográfico em crise. Quer emocionar a dona de casa de verdade? Põe Oceano pra tocar no micro-system, enquanto ela passa ferro na roupa do marido. Possuidor de um fator Augusto Cury enorme, o principal problema  do músico são os seus fãs, que ainda acham que estão ouvindo algo mais relevante que o último trabalho do Calypso.

A vantagem do lançamento da Som Livre é que os discos são compostos de versões de  Djavan interpretadas por artistas conhecidos. Um CD cantado por mulheres, outro cantado por homens. Ou seja: não vamos precisar ouvir a voz de Djavan em momento algum.

BOMBÔMETRO: 95%

O Vencedor Está Só, Paulo Coelho (Editora Agir, 2008)

ovencedorPaulo Coelho sabe muito bem que Augusto Cury fatura uma boa grana no Brasil, mas é Dan Brown quem vende milhões de livros no mercado estrangeiro – e ainda garante adaptações cinematográficas de suas obras. Seguindo essa lógica, o nosso maguinho decidiu lançar também o seu próprio suspense  R$ 5,99.  O Vencedor Está Só saiu em 2008, pela Editora Agir. De acordo com a Submarino, nesse livro “Paulo Coelho entra na passarela da moda e na rota dos assassinatos. A história se passa nas 24 horas de um dia no Festival de Cannes. Entre os personagens, um costureiro, uma modelo e um serial killer. Um thriller cuja ação se desenvolve em menos de 24 horas, e que se lê de um só fôlego”.

Ufa. Perdi o fôlego só em ler um parágrafo tão canastrão. Eu desisto da Bruna Surfistinha. Paulo Coelho, de fato, é que é um gênio do marketing.

BOMBÔMETRO: 95,99%


100 Escovadas Depois de Assistir ou Veneno Doce Faz Mal Aos Dentes.

maio 25, 2009

E a ninfetinha mais querida do Brasil ganhará uma versão filmada das suas peripécias sexuais.  Bem, pra dizer a verdade ela já tem uma, mas dessa vez o lance é um pouquinho diferente.

bruna

Bruna de verdade.

Raquel Pacheco, nossa querida Bruna Surfistinha, é – quem diria! – genial pelo menos em um aspecto da sua existência: o marketing. Sabe como ninguém se manter na mídia por muito mais tempo que o usual. Aproveitou o boom dos blogs para divulgar-se na internet e acabou caindo nas graças da  produtora Planet Sex. Antes de o público perceber que ela era só mais uma prostituta meia boca, feinha até, no ramo da pornografia, surpresa! Bruna abandonou a profissão e lançou um livro contando as suas experiências desde que deixou a casa dos pais, ainda adolescente. Tornou-se um fenômeno – aparentemente, passageiro – de vendas (tanto que escreveu mais livros) e aparições em programas de auditório.

Anos depois, quando a nossa mente começa a dispensar as lembranças da Bruna Surfistinha por polêmicas mais atuais – Ronaldo e os travecos, o vídeo caseiro da Maíra do BBB,  a virgindade da Susan Boyle -, eis que surgem burburinhos a respeito da produção cinematográfica baseada em seu best-seller, O Doce Veneno do Escorpião.

karen

Bruna de mentirinha.

A protagonista, por exemplo, já foi escalada. Karen Junqueira, 26 anos, viverá a Bruna Surfistinha nos telões. Atriz de produções de primeira linha como Malhação e Os Mutantes, Karen, pelo jeito, também é seletiva ao escolher os filmes em que vai atuar. Dois detalhes não me escapam à mente ao imaginá-la no longa: (a) vão precisar usar maquiagem pesada  pra transformar a moça e (b) apagar toda a sua expressividade – se é que ela tem alguma. A verdadeira Bruna é páreo duro até para sujeitos robóticos como o Keanu Reeves.

Segundo o Omelete, o argumento da adaptação foi escrito por Karim Aïnouz (O Céu de Suely, bom filme, menos 5% no Bombômetro) e Antonia Pelegrinno (da novela A Lua Me Disse, bônus de 4% no Bombômetro). O filme começa a ser rodado em setembro e a direção ficará a cargo de Marcus Baldini.

Batmanebomba “O Doce Veneno do Escorpião”

BOMBÔMETRO: 99%


Pouca vergonha.

maio 19, 2009

Se houvesse um prêmio para a dupla mais cretina do ano, a banda Pouca Vogal ganharia medalha de prata. Perderia apenas para o padre Fábio de Melo e Gabriel Chalita, responsáveis pelo livro Cartas Entre Amigos: Sobre Medos Contemporâneos.

poucavogal

Num daqueles dias em que o universo conspira contra o bom senso, Humberto Gessingerfrontman dos Engenheiros do Hawaii – e Duca Leindecker – da banda gaúcha Cidadão Quem – decidiram se juntar num projeto paralelo acústico, a Pouca Vogal. Se há uma característica marcante que une a personalidade dos dois artistas, definitivamente é  a Síndrome de Augusto Cury:  ambos acham que sabem fazer letras profundas e intensas, enchendo-as de lugares-comuns e chavões. Como se fosse pouco aguentar vinte frases de efeito por minuto em cada canção das outras bandas dos músicos, agora vamos ter que suportar um terceiro grupo com a presença DOS DOIS. Gessinger ainda consegue ser menos explícito em relação ao teor autoajuda das suas letras, mas o Cidadão Quem já produziu pérolas deste naipe:

No site da banda, oito músicas já foram liberadas pra download. Clicar ou não no link fica por sua conta e risco. Quanto a mim, mal posso esperar pra ver as letras do Pouca Vogal no profile do Orkut da galerinha profunda do meu Brasil.

bombabicicleta “Pouca Vogal”

BOMBÔMETRO: 85% + 5% pelo Fator Augusto Cury


Duas mídias numa pregação só.

maio 14, 2009

fabiodemelo

O padre Fábio de Melo é a sensação das beatas solteironas do Brasil.  Sabe, como ninguém, fazer pose de galã intelectual e sensível pra vender discos e livros. Grande adepto da fórmula pseudoliterária de Augusto Cury, o padreco já percebeu que nesse mundo capitalista não existem fiéis, apenas públicos-alvo, e partiu pro ataque.  E quem sou eu pra dizer que ele está errado? Salário de padre é mirradinho que só.

De 2008 pra cá, pelo menos quatro livros do padre Fábio de Melo foram lançados, todos a precinhos populares, para  a dona de casa não reclamar: Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta, Quem Me Roubou Meu Queijo de Mim?, Tempo: Saudades e Esquecimentos e Cartas Entre Amigos: Sobre Medos Contemporâneos.  Sem contar, claro, os discos. Ah, esse sacerdote é mesmo um artista! Deleitem-se com a descrição de cada livro (copiadas da Submarino):

Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta

Em Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta, Pe. Fábio de Melo nos proporciona uma reflexão sobre as razões de nosso sofrimento e como transformá-lo em fonte de valores. A partir de vários relatos, ele expõe que o sofrimento humano está repleto de ensinamento; tudo dependerá de nosso ponto de vista e de nossas escolhas. O livro mostra ainda que o sofrimento não deve ser um estado definitivo, mas sim um instante de travessia, um caminho para a transformação. Sofrimento é destino inevitável, porque é fruto do processo que nos torna humanos. O grande desafio é identificar o sofrimento que vale a pena ser sofrido.

Quem Me Roubou de Mim?

Esta obra aborda algumas questões sobre as dificuldades das relações humanas. É um livro bastante profundo, que apresenta uma linguagem poética e leve para falar de coisas tão importantes em nossa vida. por meio de reflexões filosóficas, textos poéticos e histórias reais, o autor toca nosso entendimento e nossas emoções, convidando-nos a um mergulho em nossa subjetividade, afim de nos fazer conhecer a nós mesmos e a descobrir como viver e conviver melhor não só com as pessoas que nos cercam, mas com todos que passam pelo nosso caminho.

Tempo: Saudades e Esquecimentos

Esta obra aborda algumas questões sobre as dificuldades das relações humanas. É um livro bastante profundo, que apresenta uma linguagem poética e leve para falar de coisas tão importantes em nossa vida. por meio de reflexões filosóficas, textos poéticos e histórias reais, o autor toca nosso entendimento e nossas emoções, convidando-nos a um mergulho em nossa subjetividade, afim de nos fazer conhecer a nós mesmos e a descobrir como viver e conviver melhor não só com as pessoas que nos cercam, mas com todos que passam pelo nosso caminho.

Cartas Entre Amigos: Sobre Medos Contemporâneos (escrito em parceria com Gabriel Chalita)

Um dos livros mais aguardados do ano, traz reflexões sobre temas contemporâneos de grande interesse. O medo da morte, da solidão, do fracasso, da inveja, do envelhecimento, das paixões, da falta de sentido da vida. No formato de cartas entre dois grandes amigos, tais temas são tratados com sensibilidade pelos jovens autores mais celebrados do momento, duas lideranças incontestáveis das novas gerações: Gabriel Chalita e Padre Fábio de Melo. O livro resgata os valores do humanismo ao mesmo tempo que celebra a amizade de duas personalidades apaixonadas por filosofia, literatura e poesia.

timebomb Obra Completa do padre Fábio de Melo

BOMBÔMETRO: 100%

(e eu que nem pretendia repetir…)


Sobre anões e remakes.

maio 8, 2009

Estamos no auge do momento hollywoodiano dos remakes. É remake de filme clássico pra cá, refilmagem de filme obscuro pra lá… estou pra ver a hora em que a moda engatará na indústria pornô e a Brasileirinhas decida fazer um remake de As Taras do Mini-Vampiro: a obra-prima da produtora Boca-de-Lixo contava a história de um vampiro anão (interpretado por Chumbinho, estrela-mor da indústria pornográfica brasileira dos anos oitenta) que bebia sangue de menstruação.

chumbinhoChumbinho em seu melhor ângulo.

Uma das refilmagens que mais causaram repercussão na internet nos últimos meses é  a de Karatê Kid. Protagonizado pelo filho do Will Smith, – Jaden Smith -, o remake do clássico da Sessão da Tarde ainda não tem previsão de estreia. Poucos dias atrás, a produção revelou a trama do filme ao site Moviehole – que é mais ou menos o que o Omelete publicou:

A trama é essencialmente a mesma: garoto é forçado a se mudar com sua mãe para uma cidade diferente, apanha dos grandões, e aprende artes marciais com um tiozinho caquético, por quem ninguém dava nada. A diferença é que a nova versão se passa na China – para onde a mãe solteira do garoto, Sherry, é transferida para não perder o emprego nos EUA.

Jaden Smith interpreta Dre, o Daniel-san da vez, viciado em videogames de skate. Sem saber falar mandarim, matriculado numa rigorosa escola local, atrai a atenção dos bulllies locais, como Lui Wei Cheng (personagem cujo ator ainda não foi divulgado). Surge então o Sr. Han (Jackie Chan), faz-tudo do prédio de apartamentos onde Dre mora com a mãe. Enquanto conserta o aquecimento do banheiro, Han vê Dre imitando golpes e chutes na frente do videogame – e percebe o potencial do menino.

Para resumir o que vem a seguir sem revelar muito: Dre aprende não só a lutar como também a falar mandarim, há um interesse romântico para o garoto e não falta nem a academia de kung-fu “do mal”.

A direção do filme ficará a cargo de Harald Zwart (Pantera Cor-de-Rosa 2).

81272093BM089_17th_Annual_MJaden mostrando que está à altura – em centímetros – de Chumbinho.

Hoje farei uma explicação lógica e didática para o bombômetro dessa bomba obra cinematográfica. Todo filme começa com 50% de chance de ser uma bomba. Ganha deméritos ou bônus de acordo com a suas qualidades prévias. Nesse sentido, o remake de Karatê Kid seguiu o seguinte raciocínio:

1)    Jaden Smith é o moleque mais sem carisma do cinema norte-americano  dos últimos tempos (alguém viu O Dia em que a Terra Parou, heim?), interpretando papéis importantes só por causa do lobby feito por papai: +8,3%

2)    Pat Morita morreu há alguns anos e Jackie Chan não tem cacife para interpretar o/uma variante do Sr. Miyagi: + 5,8%

3)    Jaden – ah, pirralhinho mimado – já disse que não deseja utilizar o clássico Golpe da Garça no filme. Um filme de Karatê Kid SEM O GOLPE DA GARÇA: não tem preço +30%

bombachocolate “Karatê Kid”

BOMBÔMETRO: 94,1%


maio 4, 2009

Vou fazer um pequeno teste com você, leitor. É um exercício de trabalho intelectual, então PENSE BASTANTE antes de escolher.

As frases abaixo são creditadas a traficantes (fictícios ou não). Qual delas facilmente também sairia da boca da sua vizinha solteirona do terceiro andar:

a)    “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”

b)    “Tamos atento, no setor 12. Arrebenta o cara da draga. Bota bala pra comer nesse, faz eles rolar no chão.”

c)    “(…) e é melhor o senhor sair da minha casa, nunca brinque com um peixes de ascendente escorpião.”

d)    “Chegamos na Rocinha no complexo Zona Sul, equipe Alfa foi e quebrou o Lulu.”

Aham.

Quando o filme de Faroeste Caboclo for lançado, dou a resposta.

O longa será baseado num roteiro de Paulo Lins (que, por sua vez, se baseou na música homônima da Legião Urbana), escritor do livro Cidade de Deus, e terá direção de René Sampaio, também diretor de cinco curtas. O orçamento do filme, produzido pela Gávea Filmes, é de R$ 6 milhões. Você pode conferir mais sobre o projeto no site oficial.

Spoiler: No final do filme, Jeremias mata João de Santo Cristo com um tiro nas costas.

bomb“Faroeste Caboclo”

BOMBÔMETRO: 70%