abril 27, 2009

Um sujeito raso sendo filmado de maneira rasa, no que pode dar: bomba!

Oliver Stone tem o tino para transformar qualquer vida numa experiência superficial e polêmica, como o grande público gosta. As cinebiografias do diretor são baseadas na velha fórmula de amplificar ao extremo o estereótipo de uma personalidade pública e encaixá-la em situações controversas que ocorreram ao longo de sua vida. Para o personagem parecer mais real – e abafar toda a falta de profundidade da obra – um ator competente “encarna” o protagonista, como se a verdadeira celebridade retratada estivesse no telão. The Doors – o filme, não a banda –, de 1991, é um bom exemplo de uma das cinebiografias do Stone. Se você não viu nenhuma delas, pense que Cazuza – O Tempo Não Pára podia fazer, perfeitamente, parte do currículo do diretor.

w

W., o novo fruto do cineasta, estreou nessa sexta-feira nos cinemas brasileiros – não em todo o Brasil. Em Salvador, por exemplo, ainda não está sendo exibido – e retrata a vida de George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos. As sinopses são uma diversão à parte:

O diretor Oliver Stone traz a vida do 43º presidente dos Estados Unidos para as telonas. O filme mostra conturbada vida de George W. Bush (Josh Brolin) – seus esforços e seus triunfos, como ele achou em sua mulher Laura Bush (Elizabeth Banks) a fé e, claro, os críticos dias que o conduziu a polêmica decisão de invadir o Iraque.

(Yahoo! Cinema)

Cinebiografia sobre o presidente americano George W. Bush que pretende mostrar “como ele deixou de ser um alcoólatra e se transformou na figura mais poderosa do mundo”.

(Cinema em Cena)

Trailer:

Pelo jeito, Bush ganhou uma cinebiografia à altura dos seus anos na presidência.

bomb01 “W.”

BOMBÔMETRO: 84%

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abril 24, 2009

Dessa vez, farei uma mini-prévia da lista dos dez livros mais vendidos de ficção da Veja. Até que tentei dividir e analisar um por um, mas metade deles são farinha do mesmo saco: eu só faria copiar e colar a mesma crítica e trocar o nome do livro e autor. Por isso, algumas análises são coletivas, enquanto outras mereceram um destaque individual.

#1, #6, #7 e #9 – A Cabana – William Young, O Vendedor de Sonhos – Augusto Cury, A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak e O Menino do Pijama Listrado – John Boyne.

Se houvesse uma lixeira seletiva para livros ruins, essas quatro obras ocupariam o mesmo espaço: a das ficções que, no fundo, no fundo, são auto-ajuda. Histórias superficiais e bobinhas para leitores que não costumam ler e acham profunda qualquer frase de efeito.

Outros best-sellers, como os livros de Paulo Coelho, Lya Luft ou Khaled Hosseini – este último, autor de O Caçador de Pipas e nosso exemplo-mor do Não Consumirás, tem dois romances aqui que pegaram onda em seu sucesso: A Menina Que Roubava Livros e O Menino do Pijama Listrado – seriam bem-vindos nesse mesmo lixo.

BOMBÔMETRO: 97% + 2% de bônus pela relação com O Caçador de Pipas.

#2 – Leite Derramado – Chico Buarque.

Dizem as más línguas que, como romancista, Chico Buarque é um ótimo compositor. Fora Budapeste, o seu quarto livro, nada mais em sua carreira de escritor de romances é significante.

Certeza, de verdade, tenho uma: ninguém compra Leite Derramado pelos méritos do livro – afinal, foi recém-lançado – e sim por tudo o que Chico já fez em sua carreira. E ele pode fazer um livro tão ruim quanto O Caçador de Pipas e, ainda assim, ser idolatrado por isso.

BOMBÔMETRO: 50% + 5% de bônus se alguém chorar sobre o livro.

#3, #4 e #5 – Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse – Stephenie Meyer.

Abstendo-me de uma digitação exaustiva em três tempos, jogo os livros dos vampirinhos que viram brilham como purpurina à luz do dia em um único quesito. Sim, infelizmente vi o filme de Crepúsculo. Perdoe-me, Pai, pois pequei. Mas foi por um bom motivo: as duas horas no cinema me pouparam de muitas horas a mais que eu perderia lendo esses romances  escritos para pré-adolescentes rejeitadas. Faço das palavras do Stephen King as minhas.

BOMBÔMETRO: 93% + 2% por trazer de volta a modinha dos vampiros (e um novo filme da franquia Anjos da Noite com ela).

#8 – O Leitor – Bernhard Schlink.

Perdoe-me, Pai, pois pequei.

Perdoe-me, Pai, pois pequei.

Perdoe-me, Pai, pois pequei.

Vou me chicotear alí no canto pra não voltar a ler obras enquanto elas estiverem no Top 10 da Veja.

#10 – Anjos e Demônios – Dan Brown.

Como a data do lançamento do filme baseado nas altas confusões vividas por Robert Langdon e uma galera do barulho se aproxima, Dan Brown volta a ser lembrado nas listas de mais vendidos. A questão é: se não fosse a polêmica envolvendo a igreja e figuras religiosas, seus livros podiam figurar em qualquer seção de romances policiais vendidos em banca de revista por cinco e noventa e nove – do tipo que tem uma estrutura básica e previsível.

BOMBÔMETRO: 80% + 5,99% de bônus pelo real preço que o livro é vendido.


Chutando cachorro morto (novamente).

abril 20, 2009

diva

Divã é a típica produção que não difere em nada dos especiais de fim de ano da Globo. A grande diferença é que no cinema dá pra arrecadar um dinheirinho a mais do mesmo público, que descobre o filme em merchandisings exibidos em novelas ou, se estreasse umas semanas antes, no Big Brother Brasil. O pior é que nem dá pra sentir aquela simpatia por ser um produto ‘que até pode ser divertido porque é trash’, como em Se Eu Fosse Você.

Enfim, vamos à sinopse, copiada do site da UCI:

“Divã” conta a história de Mercedes, uma mulher de 40 anos que vive às voltas com as alegrias e desafios da sociedade contemporânea. Casada e mãe de dois filhos, Mercedes decide, mesmo sem saber bem o porquê, procurar um psicanalista. E, assim, o que antes era apenas uma curiosidade, se transforma em uma experiência devastadora, que provoca uma série de mudanças em sua vida cotidiana. No divã, Mercedes questiona o seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução. A melhor amiga Mônica, a companheira de todos os momentos, vê de perto a transformação de Mercedes e participa de suas novas experiências e descobertas, apesar de nem sempre concordar com suas escolhas. As revelações de Mercedes para o analista, assim como as conversas com a melhor amiga, dão novo rumo à vida de Mercedes que a princípio parecia boa, estável, mas sem grandes emoções. É só o princípio de uma grande transformação.

Até aí, tudo bem. Estrutura clássica de qualquer história de mudança, dá até pra pensar que se fosse escrito por um bom roteirista, podia gerar um bom filme. Você pode chegar a fazer cara feia ao ler a sinopse, mas não cuspir no monitor.

Constrangimento de verdade você sente quando assiste ao trailer.

Acho que eu é que vou precisar de um divã pra me livrar do trauma da piadinha da balada seguida pela música de Ana Carolina.

Divã estreou dia 17 em todo o Brasil e conta com a direção de José Alvarenga Jr. – também diretor de Zoando na TV (1999) – e um elenco de figurões da Globo teledramaturgia nacional, como Lília Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond.

É isso. Passem bem. Bem longe dessa bomba.


bombah “Divã”

BOMBÔMETRO: 98,7%


abril 16, 2009

É aquilo: eu podia não começar com um produto que é claramente uma bomba, mas desejo estar cem por cento certo de que algo não presta ao menos na primeira análise do blog.

sonhador

Mal posso esperar pra não ver “Os Sonhos de Um Sonhador – A História de Frank Aguiar”. Embora, como disse o Marcelo Hessel do Omelete, o filme devia ganhar o Oscar de melhor pleonasmo. Dirigido por Caco Milano (pra quem nunca ouviu falar no diretor, há uma auto descrição em seu blog: “Cineasta, Dramaturgo, Pai, Marido, amante, companheiro, torce pelo Palmeiras, sou aquariano, sou feliz!”), o longa,  atualmente sendo rodado no Piauí, está previsto para estrear no circuito nacional em setembro. Em Nota Oficial, o diretor divulgou a seguinte sinopse do filme:

“Os Sonhos de um Sonhador – A História de Frank Aguiar” contará a vida artística do cantor, desde a sua saída de Itainopólis até o sucesso em São Paulo.Um filme para a família toda se emocionar.
Frank Aguiar irá fazer aulas de interpretação para participar do final do filme.

O elenco conta com a participação de Chico Anysio, Daneil Zettel (o Carlinhos da novela “Mulheres Apaixonadas”, de 2003), Leandro Lehart, Milton Guedes, Hugo Alves (da dupla Hugo & Tiago), Cláudia Carla e Luna Milano.

O mais interessante é que posso me abdicar de qualquer comentário sobre o filme, porque tudo o que o envolve é muito auto-explicativo. Depois do boom de filmes brasileiros sobre favelas que sucedeu Cidade de Deus, estamos diante de uma onda cinematográfica baseada em Dois Filhos de Francisco? Se for assim, espero ainda criticar aqui “Bruno e Marrone: Dormi na Praça.”


bomba

“Os Sonhos de Um Sonhador – A História de Frank Aguiar”

BOMBÔMETRO: 100%


Partindo do princípio…

abril 14, 2009

…que ninguém precisa ler ou assistir O Caçador de Pipas para saber que está diante de uma grande bomba, dou o pontapé inicial – quebro a garrafa no casco do navio, abro com chave de ouro ou outro chavão qualquer – neste blog.

Discutiremos aqui sobre tudo o que você não quer ver no mundo pop. Aquele filme que só o título dá náuseas. A nova série da Warner que a release te provoca angústias. A milésima imitação barata de O Senhor dos Anéis adaptada para os cinemas. O quadragésimo disco chato do U2. O importante é que tudo isso vai ser feito às cegas: vou partir apenas da sinopse e de algumas (poucas) informações sobre o produto. No máximo, um trailer. Tentarei abordar os lançamentos óbvios – como Velozes e Furiosos Parte Um a Doze – e os não tão óbvios assim – como o supracitado pseudoprofundo O Caçador de Pipas.  Ao fim de cada análise há um bombômetro, indicando as probabilidades de tais produtos serem realmente ruins. Depois, assistindo Tela Quente e comendo um miojo numa segunda-feira monótona, vocês comprovam se errei.

Ah, e claro. Comentem, mandem sugestões e revoltem-se: pretendo falar mal de algo que você gostou ou ainda vai gostar.

Zé Marques